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PEQUENOS MOVIMENTOS NA BUSCA POR MAIS INDEPENDÊNCIA
 

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A Terapia Ocupacional (TO) auxilia na recuperação de pessoas com câncer ao proporcionar, por meio de práticas simples, o resgate da auto-estima e do prazer de viver.

Levantar da cama, escovar os dentes, pentear o cabelo, vestir a blusa e se alimentar sozinho podem parecer, a princípio, tarefas simples, de menor importância. Mas para pessoas portadoras de câncer, submetidas a tratamentos agressivos, esses poucos movimentos podem significar uma grande vitória. Essa conquista, muitas vezes, só se torna possível com a ajuda da Terapia Ocupacional (TO), que se dedica a resgatar a capacidade do indivíduo cuidar de si mesmo.

A função da TO é fazer com que a pessoa fique o mais independente possível, de acordo com seu quadro clínico, afirma a terapeuta ocupacional do Instituto Mário Penna, Nardele Júnia Nonato Flores. São atividades simples, mas que representam grandes ganhos no quadro de recuperação de pessoas com câncer, diz.

Nardele explica que uma das funções fundamentais do ser humano é a de se autocuidar: Quando a pessoa extingue essa capacidade e passa a ser cuidada por um terceiro, perde sua personalidade. O importante será aquilo que o outro irá lhe oferecer, e não o que ele considera válido. Com as atividades proporcionadas pela TO, a pessoa fica mais ativa. Ela será o cliente que menos incomodará na enfermagem e, quando for para casa, não demandará tanta atenção, pois não levará para si o sentimento de que está sendo cuidada por outro; ela é a responsável também por sua reabilitação.

Ao praticar atividades corriqueiras e, conseqüentemente, se exercitar, os batimentos cardíacos aumentam e o sangue é bombeado mais rapidamente, o que acelera o efeito dos medicamentos que estão sendo usados, fazendo com que até mesmo a quimioterapia obtenha resultados mais eficazes. A terapeuta explica, contudo, que todas essas práticas não podem ser realizadas mecanicamente e precisam ser feitas com prazer para ativar a área do cérebro. Por isso, a pessoa tem que se sentir feliz ao executá-las, e não apenas fazer por fazer, para cumprir uma obrigação.

Entre as terapias realizadas, destaca-se a musico terapia. Sempre gostei de música e violão. Quando me apresento, encarno também um personagem, por isso, não toco apenas por tocar. Toco sempre o que a minha platéia quer ouvir, ressalta. Ela explica que, ao interagir com os pacientes e fazer com que eles batam as mãos, parte do exercício esperado já está sendo executado: Vejo essa interação como uma grande conexão com Deus, e a musico terapia, assim como o reforço positivo, são grandes ferramentas no tratamento de pessoas doentes.

Nardele é portadora de necessidade especial e executa seu trabalho sobre uma cadeira de rodas. Procuro resgatar o restante de alegria que há dentro dos pacientes e, quando eles me vêem na cadeira, percebo uma interação diferente e consigo uma credibilidade maior, diz. A terapeuta dos Hospitais Mário Penna e Luxemburgo conta que muitos não acreditam que ela dependa realmente da cadeira. Outros perguntam como consegue ficar sorrindo o tempo todo, mesmo sem poder andar. A TO foca a qualidade em todas as etapas da vida. E não há qualidade sem felicidade, sem existir alegria em viver. Quando temos a auto-estima elevada, há encanto e vontade de fazer as coisas, por isso, a vida se torna mais fácil, principalmente para quem está se tratando. O meu objetivo é fazer com que os clientes, dentro de cada quadro específico, conquistem sua independência com prazer, explica.

 

 
AD.C